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Operação sigilosa da Polícia do ES investiga crimes na internet contra Marcos do Val

por 26 de dezembro de 2017Na Mídia
https://youtu.be/wJGebX6JDu8

 

Uma das principais polêmicas que agitaram a internet brasileira em 2017 virou caso de polícia. Uma investigação sigilosa em andamento na Polícia Civil do Espirito Santo, instaurada em abril deste ano, objetiva identificar os autores de uma onda de ataques nas redes sociais que tenta desqualificar o instrutor de táticas de imobilizações e consultor em segurança, Marcos Ribeiro do Val.

Celebridade na internet, com um perfil no Facebook que reúne quase quatro milhões de seguidores, Marcos do Val, como é conhecido, é instrutor de cursos de defesa em unidades da Special Weapons and Tactics (SWAT) nos Estados Unidos e foi consultor na área de segurança na TV Gazeta, afiliada da Rede Globo no Espirito Santo, e na rádio CBN de Vitória (ES). Ele esteve várias vezes no Paraná, ministrando cursos e participando do lançamento do livro “Um Brasileiro na Swat”, da escritora pernambucana Ana Ligia Lira. O livro, lançado em Campo Mourão em 2015, conta a história de vida do instrutor.

Os principais alvos da operação policial são os responsáveis pelas publicações no perfil Stolen Valor Brasil. O instrutor de tiro, Tony Eduardo de Lima, morador em São José (SC), também é investigado. Eles são suspeitos de prática dos crimes de calúnia, difamação e injúria, previstos nos artigos 138 , 139 e 140 do Código Penal Brasileiro. Os nomes do grupo e de Lima são citados em documentos oficiais da justiça capixaba aos quais o i44 News teve acesso.

A investigação está sendo conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos (DRCE), em Vitória. Procurada pela reportagem, responsáveis pelas  investigações informaram que não se pronunciariam sobre o caso,  que está sob sigilo.

Documentos do inquérito 012/2017 porém, revelam que a delegada encaminhou solicitação ao Ministério Público pedindo a quebra do sigilo telemáticos dos suspeitos. O MPES reencaminhou o pedido à Sexta Vara Criminal da Justiça em Vitória, que deferiu o pedido e determinou que as empresas Facebook e Google forneçam logs e dados registrados para conexão nos perfis da Stolen Valor Brasil e Tony Eduardo. Se condenados pela prática dos crimes, os autores podem ser punidos com penas com prazos que variam de três meses a até dois anos de prisão e multa.

Crimes contra honra

O grupo Stolen Valor Brasil , que em tradução livre se refere ao termo valores roubados, e o perfil de Tony Eduardo estariam desde o início de 2017, publicando postagens contra Marcos do Val, acusando-o de enganar a sociedade brasileira ao afirmar que era instrutor da SWAT e que seria policial. De acordo com a descrição, a página do Stolen Valor Brasil seria “dedicada à desmascarar falsos militares, policiais, veteranos e instrutores que falsificam suas credenciais.”

Em setembro deste ano, os perfis publicaram ainda que haveria um mandado de prisão em aberto contra Do Val no condado de Galveston, no Texas, e chegaram a exibir um suposto print do sistema de capturas da policia texana. No post, o print apresentado mostra que haveria um mandado de prisão contra Do Val, deste agosto deste ano,, por se passar por servidor público. De acordo com o código penal do Texas, o suposto crime- definido no artigo 37.11, alínea b – está tipificado como uma ofensa de terceiro grau. Os autores da página Stolen Valor Brasil chegaram a desafiar Do Val a visitar o condado de Galveston e prometeram que pagariam a viagem do instrutor brasileiro.

Apesar das “revelações” publicadas no Facebook, Marcos do Val esteve no condado de Galveston, em novembro, e visitou a delegacia e o presídio local. Não havia qualquer mandado de prisão contra ele. O intrutor chegou a gravar vídeos nos dois locais e registrou queixa sobre a divulgação do suposto mandado de prisão.

O Departamento de Polícia de Galveston negou a existência do mandado de prisão contra Macos do Val. A unidades da SWAT em Beaumont confirmou a realização do trabalho do brasileiro. O Departamento de Polícia de Dallas, também afirmou que Do Val já ministrou cursos no local, em anos anteriores, através da Associação de Oficiais de Polícia Tactical do Texas (TTPOA), entidade que congrega policiais que atuam em várias unidades da SWAT nas cidades americanas. Em ambos os casos, os policiais afirmm que Do Val não pertence aos quadros da polícia americana.

A reportagem tentou ouvir a versão do instrutor de tiro Tony Eduardo de Lima, diretor da empresa.38, esdicada na cidade catarinense de São José, especializada em cursos de tiros. Por telefone, foi solicitado que as perguntas fossem enviadas por e-mail. A mensagem encaminhadas não obtiveram resposta.
O grupo Stolen Valor Brasil não tem responsáveis identificados no Facebook. No perfil da página, há uma mensagem informando que o grupo é independente que não tem “que apresentar nada a ninguem, muito menos os dados completos dos adminiatradores da pagina SVB”.

“Concorrência”

Ouvido pelo i44 News, por telefone, Marcos do Val disse que a onda de ataques contra ele teria sido iniciada após a divulgação de um projeto desenvolvido por sua empresa, o Centro Avançado em Técnicas de Imobilização (CATI), com o objetivo de enaltecer o trabalho de policiais que se destacaram em suas atividades. O projeto “Heróis Reais” premia policiais que se destacaram na profissão em etpas regionais e deve ter um vencedor nacional anunciado nos próximos dias. Na região Sul do País, o policial rodoviário Saulo da Rocha Pina, foi o escolhido e está na fase final. Em 2015, em Matinhos no litoral do Estado, Pina teve atuação de destaque no resgate de duas pessoas que estavam se afogando, após o capotamento de um veículo em um banhado. O policial entrou na água, conseguiu desvirar o veículo e após massagens e respiração boca-a-boca, conseguiu salvar a vida das vítimas.

De acordo com relato de Marcos do Val, o projeto teria atraído a ira de seus concorrentes por ter o patrocínio da fabricante de armas Taurus, empresa que vem enfrentando críticas de policiais e é alvo de uma investigação no Ministério Público Federal no Sergipe por colocar no mercado armas que colocam em risco a segurança dos portadores, provocando em alguns casos acidentes fatais.

Em nota à imprensa, em novembro, a Forjas Taurus defende que “não há vícios de fabricação ou de projeto nas armas fabricadas pela Taurus”. A empresa assinala ainda que perícias conduzidas de acordo com normas técnicas não têm confirmado a ocorrência de defeitos de fabricação nas pistolas. Em nota enviada ao jornal Valor, a Taurus diz que houve verificação sumária conduzida pelo Exército brasileiro e informou que não há qualquer liminar em vigor determinando o recall.

Política

Com posições de direita, Marcos do Val mantém um página no Facebook onde defende ações de policiais brasileiros. Adepto da tese “bandido bom é bandido preso e condenado”, o instrutor que mora no Espirito Santo, é seguido por quase quatro milhões de pessoas. Suas postagens na rede, chegam a gerar dezenas de milhares de comentários de fãs.

O instrutor apóia o endurecimento na aplicação da lei aos bandidos, proposto pelo atual deputado Jair Bolsonaro. Ele não confirma, mas segundo fontes ouvidas pelo i44 News, ele deve ser candidato nas eleições do próximo ano, concorrendo ao Senado por seu estado.

Fonte: i44News

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